Digo Advento
e os teus profetas falam-me de rios no deserto,
rebentos brotando em troncos carcomidos,
lobos e cordeiros brincando juntos,
desterrados regressando à pátria,
coxos saltando de alegria,
cegos vendo,
grávidas sonhando um filho teu ungido.
Digo Advento
e ouço o clamor dos hebreus no Egipto,
a elegia dos israelitas em Babilónia,
a súplica do resto de Sião,
as expectativas dos crentes de Tessalónica,
o desespero dos concentrados em Auschwitz e Dachau,
o grito mudo dos famintos moribundos em África e na Índia
e a tua garantia ao vidente de Patmos:
"Sim, eu venho em breve."
Digo Advento e junto-me à prece da Liturgia:
"Orvalhai, ó céus, o Desejado,
e as nuvens chovam o Justo!"
ecoa em mim o testemunho do Profeta:
"Deus é fiel."
e repito a invocação do teu Apóstolo:
"Vem, Senhor Jesus!"
*
Poema de
Lopes Morgado
Lopes Morgado

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