Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

ORÇAMENTO...


SONETO

*
Surge Janeiro frio e pardacento,

Descem da serra os lobos ao povoado;

Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;

Cresce a miséria ao povo amordaçado;

Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.


E enquanto à fome o povo se estiola,

Certo santo pupilo de Loyola,

Mistura de judeu e de vilão,


Também faz o pequeno “sacrifício”

De trinta contos – só! – por seu ofício

Receber, a bem dele... e da nação.

*
Soneto (quase inédito) de José Régio
(Em 1969 no dia de uma reunião de antigos alunos)

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