
À TUA BUSCA, AMOR!
*
Não sei o que há de vago,
De imperecível, puro,
No voo em que divago
À tua busca, amor!
No voo em que procuro
O bálsamo, o aroma,
Que se uma forma toma
É de impalpável flor!
.
Oh, como te eu aspiro
Na ventania agreste!
Oh, como eu te admiro
Nas solidões do mar!
Quando o azul celeste
Descansa nessas águas,
Como nas minhas mágoas
Descansa o teu olhar!
.
Que plácida harmonia
Então, a pouco e pouco,
Me eleva a fantasia
A novas regiões...
Dando-me ao uivo rouco
Do mar nessas cavernas
O timbre das mais ternas
E pias orações!
.
Parece-me este mundo
Todo um imenso templo!
O mar já não tem fundo
E não tem fundo o céu!
E em tudo o que eu contemplo,
O que diviso em tudo,
És tu...esse olhar mudo...
O mundo és tu...e eu!.
*
João de Deus Ramos
Poeta e Pedagogo
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