Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

POESIA...ao acaso.



AO SOL NASCENTE
.
Incansável velho louco, Sol atrevido,
Porque vens tu assim
Visitar-nos através de janelas por entre cortinas?
Devem as estações dos amantes obedecer a teus movimentos?
 Miserável, descarado e pedante, vai repreender
Estudantes atrasados e aprendizes azedos,
vai dizer aos monteiros que o rei sai a cavalo,
Chama as formigas rústicas para as colheitas.
Ao amor tudo é igual, não conhece estação, nem clima,
Nem horas, dias ou meses, que são os farrapos do tempo.
.
Aos teus raios, tão reverendos e fortes -
O que é que tu pensas? -
Posso eclipsá-los, enevoá-los, com uma piscadela,
Mas iria perdê-la de vista por demasiado tempo.
Se os olhos dela não cegarem os teus
Olha, e amanhã bem tarde diz-me
Se as duas Índias de especiarias e minas
Estão onde as deixaste, ou comigo aqui deitadas.
Pergunta por esses reis a quem viste ontem
E ouvirás: "Todos aqui numa só cama repousam."
.
Ela é todos os Estados e eu todos os Princípes,
Nada mais existe.
Os princípes apenas nos emitam. Comparadas com isto,
Todas as horas são mímica, toda a riqueza alquimia.
E tu, Sol, porque o mundo aqui se condensou,
Tens apenas metade da nossa felicidade.
A tua idade pede moderação, e como tens por dever
Aquecer o mundo, tal se cumpre em nos aquecendo.
Brilha aqui para nós e estarás em todo o lado,
Esta cama é o teu centro, estas paredes a tua esfera.
.
Poema de John Donne
in Poemas Eróticos

0 comentários: